sexta-feira, 9 de junho de 2017

A história da Professora AFONSINA - V -



        Meu jovem amigo ARAUAQUE e eu chegando ao antigo
        barracão, construído pelo papai.

         Meu sobrinho CLEY e eu, no interior do barracão.
                     (note-se que já não existe assoalho)

A confirmação da gravidez da LAURINDA, a segunda, trouxe novo ânimo a todos os 
familiares. Como é natural, aumentaram-se os cuidados com a parturiente cobrando-se, até 
dela própria, a observância de regras mais rígidas para o seu dia a dia. Alimentação rica e 
variada, tomada nas horas certas e nada de muito esforço ou longas caminhadas. Claro que 
tais atitudes da família não tinham razão de ser, pois o que ocorreu com a criança que 
morrera, nada tinha a ver com o comportamento, alimentação ou qualquer outra atitude da 
parturiente, como é fácil deduzir.  A criança morrera, como eu próprio teria morrido se tivesse 
nascido uns  10 ou 20 anos antes do meu próprio nascimento, porque a tecnologia que me
mantem vivo até hoje (o marcapasso), não existia e, fatalmente, já estaria morto, vítima de uma 
parada cardíaca durante o sono. A criança morrera, dizia, porque Alexander  Fleming, escocês 
( 06.11.1881 a 11.03.1955 ), apesar de ter casualmente descoberto a penicilina - primeiro 
antibiótico - em 1928, sua produção industrial como fármaco, só começou em 1938 nos 
EE.UU., isto é, quatro anos depois do infausto acontecimento. E a gravidez transcorreria 
sem nenhuma intercorrência, a  não ser pelas sempre presentes náuseas, comuns nos meses 
iniciais... Naquele ano, como que para comemorar antecipadamente a chegada de outro filho 
(ou seria filha ?...), a safra da castanha do Pará foi das mais generosas. Com isto, o trabalho 
de todos foi proporcionalmente maior, exigindo algumas viagens extras para trazer até a 
cidade, no " batelão "*, as castanhas que, por sua enorme quantidade, abarrotavam o barracão 
construído às margens do lago. As atribulações foram tantas, que FRANCISCO decidiu 
que construiria, naquele ano, um outro barracão, desta vez com uma estrutura definitiva e 
com capacidade de armazenamento dobrada. A construção foi de tal maneira caprichada, 
que até hoje permaneceria utilizável, não fora o vandalismo perpetrado por caçadores e 
pescadores que, não tendo a mínima consciência, usam a sua medeira fácil para fazer 
fogueira, ao lá acamparem para passar a noite! Não imaginam o trabalho, o sacrifício e o 
dinheiro que foram feitos e gastos para trazer da cidade os materiais corriqueiros e da 
capital, Belém, as telhas, que até hoje cobrem o barracão. (Estive no local, no ano de 
2002, conforme as fotos que ilustram esta postagem).
 E o ano de 1935 já ia lá pela metade quando, sabendo que o parto estava próximo,
foram providenciados todos os requisitos exigidos para uma feliz " délivrance "...


* BATELÃO - Grande embarcação desprovida de motor, que serve para transportar
 qualquer tipo de carga e que é rebocado ou empurrado por barcos motorizados.

                                                             
Continua a próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.

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