sexta-feira, 16 de junho de 2017

A história da professora AFONSINA -VI -



                                                                     Foto Internet


Os primeiros sinais sentidos indicando que o bebê precisava vir à luz, foram verificados ao
amanhecer do dia 01.08.1935. Um misto de euforia e preocupação invadiu a casa. Já haviam
vivenciado, num passado recente, um trauma terrível, daí a preocupação. A euforia, porém,
venceu e,  rezando baixinho, estavam esperando as notícias vindas do quarto por intermédio
da parteira, d. Lucila - por muitos chamada carinhosamente de " mãe Lucila " - cuja experiência
já fora comprovada ao longo de vinte e muitos anos trazendo à luz os nascidos na cidade e até
em alguns lugares do interior. E, finalmente, a notícia: nascera, sem nenhuma intercorrência, um
robusto e belo menino! Ambos, parturiente e recém nascido, estavam muito bem, obrigado!
E o tempo passou assistindo a felicidade novamente reinar naquela família. FRANCISCO
seguia trabalhando muito, como sempre, e agora com outros encargos correspondentes à
administração da fazenda do sogro, localizada à margem direita do rio Cachoeiri, onde havia
um rebanho de bovinos, e que servia mais de recreação para a família do que como geradora
de recursos, já consideráveis, advindos dos castanhais. O preço da castanha do Pará, por
sinal, subira ano a ano, proporcionalmente ao aumento do interesse dos compradores, agora
já exportada para os EE.UU que descobriram no seu consumo inúmeros benefícios à saúde e
 ao paladar, passando a figurar como um dos principais componentes na elaboração de
biscoitos, bombons e doces em geral.
Os cuidados dedicados ao pequeno JOSÉ - sim! este foi o nome escolhido à unanimidade,
 para homenagear o avô - eram tantos e de tal monta que, por alguma razão misteriosa
 que  a natureza esconde e espera até hoje pela decifração por parte de nós humanos,
apesar de todo  o amor existente entre o casal, uma nova gravidez só se verificaria
 quatro anos depois, no ano de 1939.
Esta terceira gravidez, tal qual as outras anteriores, transcorreu sem  nenhum
problema a não ser aqueles já referidos e comuns a todas as grávidas. E chegou
o dia esperado ansiosamente por todos. Os sinais de que o bebê começara a tentar abrir
  caminho em direção ao mundo exterior, tiveram início por volta das dez horas da noite
do dia trinta e um de julho de 1939 mas, ao amanhecer do dia seguinte, apesar
do gigantesco esforço de todos e, principalmente da parturiente, todas as tentativas foram
frustradas. A mãe e a criança ( era uma menina ), acabaram por sucumbir, inclusive pela
ausência de um médico na cidade. A revolta se fez sentir, imediatamente e os familiares,
enquanto providenciavam o múltiplo funeral, instaram veementemente às autoridades,
exigindo gestões urgentes com o objetivo de prover a cidade com a presença de um
profissional graduado de saúde. Tal a força e o peso da família junto às autoridades, que
logo no início do ano de 1940, foi designado um médico para a cidade. E este médico,
que se chamava Dr. DURVAL BRUZZA, chegou à Oriximiná, trazendo consigo sua esposa,
 minha tia mais velha, por parte de mãe, MARIA RITA RODRIGUES DE ARAGÃO que,
com o casamento, passou a chamar-se MARIA RITA DE ARAGÃO BRUZZA
- chamada  carinhosamente pela sua família de  MEIRY ou MANA, naturalmente
por ser a mais velha dos filhos do  casal LEONEL XIMENES DE ARAGÃO e
CARMEN RODRIGUES DE ARAGÃO,  meus avós maternos -.
E aí começa, verdadeiramente, a história da minha saudosa mãe -  AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA
 - em sua passagem pela cidade de Oriximiná, chamada carinhosamente pelos seus filhos,
de " A Princesa do Trombetas "...

                                                     
Continua na próxima sexta-feira...
Bom final de semana a todos.

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