sexta-feira, 7 de julho de 2017

A história da professora AFONSINA - VIII -




                                         Praias do rio Trombetas - imagem da Internet -



                                FRANCISCO, ao se casar com a filha de uma das figuras preeminentes da cidade, naturalmente ascendeu a um patamar superior na sociedade local; com isto, suas amizades mais próximas eram, como é natural, com as personalidades mais expressivas da pequena cidade e, entre estas personalidades, figurava uma de quem se tornou bem mais próximo: justamente o médico recém chegado.
 A amizade se solidificava mais e mais, a ponto de o amigo FRANCISCO passar a frequentar, com assiduidade, a casa do médico. Enquanto isto ocorria, lá em Belém, a Sra. CARMEM RODRIGUES DE ARAGÃO, viúva de LEONEL XIMENES DE ARAGÃO, morto com apenas 42 anos de idade e mãe da esposa do Dr. BRUZZA, de nome MARIA RITA ( chamada familiarmente de MANA ou MEIRY, como já referido anteriormente, mulher decidida e com uma  personalidade forte ), sentindo - como é natural - saudade da filha mais velha, resolveu que iria visitá-la, tão logo aparecesse uma oportunidade. Decisão tomada, lá se foi a D. CARMEM em viagem a bordo do " vapor " chamado
" Barão de Cametá ", com destino à terra onde morava sua filha . Quando o mês de agosto de 1940 chegava à sua metade, eis que, sem nenhum aviso ( naquele tempo as comunicações eram terrivelmente difíceis até entre as capitais!!! ), chega à pequena cidade a mamãe saudosa, com a intenção de voltar à Belém pelo mesmo navio, o que demoraria cerca de doze dias, entre sua chegada à Manaus e seu regresso até Oriximiná. Tratou então de aproveitar a companhia da filha e do genro, o máximo de tempo possível.
É necessário, a esta altura da narrativa, passar para os leitores mais jovens, os preceitos e normas, inimagináveis para os dias de hoje, que vigoravam naquela época. Um preceito que tinha a concordância tácita de toda a sociedade, era que, quando dois ou mais homens estivessem conversando, nenhuma mulher ou criança e muito menos serviçal, poderia se aproximar, salvo se fosse expressamente chamado ou chamada. Deveriam passar ao largo!
 Um belo dia, porém, MARIA RITA casualmente ouviu, ao passar pela porta da sala, o FRANCISCO fazendo um comentário em sua conversa com o dr. BRUZZA, no qual se queixava de ter ficado viúvo, com um filho de apenas 5 anos de idade e precisava voltar a se casar. Na cidade porém, todas as moças em idade de casar e que lhe despertavam algum interesse, já eram casadas ou estavam comprometidas. MARIA RITA, atrevida, irrompeu na sala, aproximou-se dos dois e, de maneira inesperada, disse: " Seu CHICO, mamãe voltará  à Belém e vai trazer minha irmã mais nova pra casar com o senhor! ". Estáticos, não só pelo inusitado da declaração mas principalmente pela
 " intromissão absurda " de uma mulher na conversa de dois homens, nada foi dito de pronto por nenhum deles. Apenas fizeram um muxoxo que acabou sendo interpretado por ela como aquiescência. Alguns dias se passaram até que o " Barão de Cametá ", voltando de Manaus, aportou no " trapiche "*, desembarcando viajantes e mercadorias e embarcando passageiros e cargas - principalmente castanha do Pará e juta - e, entre os passageiros, lá se foi D. Carmem de volta à capital paraense cumprir as " determinações " da sua enérgica e resoluta filha...


* Ponte ( no caso, de madeira ) localizada à margem do rio, em frente à cidade, construída na parte mais profunda, que serve para a atracação de navios e outros barcos, à exceção de transatlânticos que carecem de maior calado. Estes, fundeavam no canal existente no meio do rio, lançando suas enormes âncoras, presas a correntes de diâmetro impressionante, para nós, meninos de imaginação fértil, " da grossura da nossa coxa "...
                                                               
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.

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